terça-feira, 10 de junho de 2008

QUE VINDES FAZER AQUI?

Autor: Valdemar Sansão
É difícil “se tornar Maçom” muito mais difícil, porém, é “Ser Maçom”.
O que vindes fazer aqui? – Quando ouvimos a pergunta QUE VINDES AQUI FAZER? - respondamos com orgulho e humildade: “Vencer minhas paixões, submeter minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria”.
Venho me despojar do absolutismo, da prepotência, do egoísmo, pois quero sumeter minha vontade para o bem da humanidade; quero continuar sendo fiel aos meus ideais e ao que a Maçonaria me ensina. Quero evoluir. Procuro laços de união entre Irmãos, quero aprender com eles, dar de mim, receber suas críticas para minha evolução.
Auxílio aos neófitos - Para auxiliar os neófitos das Grandes Lojas que trabalham no Rito Escocês Antigo e Aceito (maioria) a entenderem com menos dificuldades alguns ensinamentos maçônicos contidos no universo do 1° Grau, compilamos algumas interpretações simbólicas que lhes permitem elevar seus olhos do chão, na busca do aprendizado das primeiras Instruções do Ritual do Aprendiz. A Maçonaria não é somente o que está explicito em Rituais. Existem as entrelinhas e o estudo constante de sua filosofia e principalmente da doutrina, recomendável aos Irmãos “recém-nascidos para a Ordem”. Existem, pois, partes instrutivas inseparavelmente ligadas ao verdadeiro Ritual Maçônico, e para serem compreendidas devem ser estudas em conjunto.
Nunca se esquive do aprendizado, não tenha vergonha de perguntar, indagar, questionar. Pesquise, leia. Nunca se permita estacionar na escalada do conhecimento.
Realmente, todos nós, por mais que sejamos dedicados aos estudos, sentimos essa grande necessidade de aprimoramento, acontecendo em todos os campos, tanto profissional, como social, filosófico e esotérico para que se possa acompanhar o progresso da humanidade, evitando ficar para trás, ultrapassado, pois tudo progride em velocidade vertiginosa.
Observem caríssimos Irmãos, que quem se atreve a transferir conhecimentos maçônicos deve proporcionar aos estudiosos os meios mais simples e mais efetivos. Portanto, enquanto estivermos aqui, trocaremos experiências, pois, há sempre algo para aprendermos juntos e muito possívelmente, alguém para aprender conosco também.
Não se pode é ignorar e permitir tantas fantasias, invencionices, distorções e tantos modismos, tantos “chutes” que são dados a esmo e incorporados no dia-a-dia e tidos como autênticos. O fato de todos estarem de acordo a respeito de alguma coisa não transforma o falso em verdadeiro. A verdade só pode florescer através da pesquisa e do estudo que é obrigação de todo Maçom interessado com a Ordem e com a Humanidade.
Comentaremos, assim, resumidamente, os pontos onde achamos que devem ser bem esclarecidos para evitar, maiores hesitações e indecisões. Mas, lembremo-nos que, para o Maçom, não é importante decorar as Instruções dos Rituais, o que realmente vale é vivenciá-las; que simbolísmo é a utilização dos Símbolos, na busca de uma verdade.
Obediência – O título mais correto para uma federação de Lojas, sob a direção de um Grão-mestre é OBEDIÊNCIA, pois o termo significa que as Lojas que a compõem são subordinadas a ela e que devem Obediência às suas leis e normas. O título mais usado, principalmente nos países latinos, é Potência, o qual, todavia, não é o mais adequado, envolvendo algo de pretensioso. Quando se fala no sistema de Lojas subordinadas a um Grão-mestrado, fala-se em sistema obediencial e não “potencial”, o que demonstra qual é o termo mais correto (embora Potência não seja errado; só é mais inadequado).
Publicações maçônicas – As publicações maçônicas – livros, plaquetas, artigos – são isentas de qualquer autorização do Grão-mestrado, desde que não envolvam a Obediência Maçônica, a não ser em abordagens históricas, doutrinárias e da estrutura administrativa, já que certas referências, principalmente de ordem política, podem comprometer o conceito externo da Obediência. Também não são permitidas – aí, em nome da ética e da moral maçônicas – publicações ofensivas a Maçons, Lojas e Obediências e nem publicações anônimas.
Profano – Em linguagem maçônica, profano é aquele que não foi Iniciado na Maçonaria, ou não Iniciado nos conhecimentos da Instituição. Não tem nada de pejorativo, como muitos julgam, mostrando, somente, um fato, que em nada desabona o indivíduo indicado.
Religião – A maioria dos Ritos Maçônicos exige, de seus Iniciados, a crença num ente supremo, o Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. Além disso, existem, em Loja, Símbolos que lembram a divindade, como o Delta Radiante e os textos do Livro Sagrado (Bíblia, Torá, Corão, etc.). Todavia, a Maçonaria não é, de maneira alguma, uma religião, como muitos profanos pensam e afirmam, embora surjam no desenvolvimento de sua doutrina, preocupações metafísicas e de cunho místico. Corroborando esta assertiva, os Templos Maçônicos estão abertos a homens de qualquer religião, não havendo qualquer discriminação, desde que eles sejam homens de consciência livre e de reputação ilibada.
Reconhecimento – A maneira correta de reconhecer um Maçom, é através dos Toques, Sinais e Palavras, que representam as senhas de reconhecimento. A pergunta correta que se faz, antes de passar a esse exame, é: Sois Maçom? pois há uma resposta específica, que só um verdadeiro Iniciado pode dar. A tão divulgada e usada “tudo justo”? não é meio de reconhecer outro Maçom, devendo ser evitada.
Tratamento respeitoso – em princípio o Aprendiz extranha o tratamento na terceira pessoa (vós) (linguagem da Bíblia); se somos todos Irmãos o mais apropriado não seria a intimidade da segunda pessoa, o “tu” amigo e frateno? Mais tarde percebe que sempre é usado esse tratamento respeitoso como norma porque o Maçom jamais está só, daí a justificativa para um tratamento no plural, que abrange mais de uma pessoa. Triste o homem só.
O Maçom não conta apenas com o seu grupo particular da Loja, mas da Fraternidade Universal, de todos os Maçons existentes no mundo.
Ser assim defendido exige, contudo, uma correspondência, não só através de uma igual responsabilidade, mas, sobretudo da observação dos compromissos assumidos que devem ser escrupulosamente observados.
Liberdade - Até do grande público é conhecida a trilogia maçônica “Liberdade – Igualdade – Fraternidade”, que sintetiza a sua doutrina. A Liberdade, todavia, é infinitamente mais importante do que as demais metas maçônicas, porque sem ela as outras não podem subsistir. Sem Liberdade, a vida é carga pesada, é nau à deriva, sem rota e sem destino.
Igualdade – A igualdade é um dos magnos princípios maçônicos, já que a Maçonaria considera iguais todos os homens, independentemente de raça, cor, nacionalidade e credo religioso.
Fraternidade – A Maçonaria é uma fraternidade, uma associação fraternal, onde existe a união e a convivência como a de Irmãos. Assim o principal dever de um Maçom, em relação aos seus Irmãos de Maçonaria, é a amizade, o afeto, a união, o carinho, ou seja, tudo aquilo que a verdadeira fraternidade exige. O mesmo dever se aplica em relação a toda a humanidade, pois o amor ao próximo é um dos basilares preceitos maçônicos.
Beneficência - Em Maçonaria, muitos Ritos possuem o chamado Tronco de Beneficência ou de Solidariedade, para o recolhimento, durante as Sessões Maçônicas, da contribuição dos Maçons, para as obras assistenciais da Oficina; note-se que todos os Ritos têm esse recolhimento, mas o nome de Tronco de Beneficência, ou de Solidariedade, não é estendido a todos eles. (em muitos o Venerável Mestre diz, simplesmente: “Lembremo-nos dos pobres”, para comunicar que vai ser feita a coleta de contribuições)
Aclamação – Significa clamar, aplaudir, ou aprovar, por meio de brados, proclamar, saudar. A aclamação deve ser feita aos brados e não pouco mais do que murmurada, como muitos fazem. Huzzé, Huzzé, Huzzé! é a aclamação de alegria entre os Maçons do R.E.A.A. (a aclamação não deve ser confundida com exclamação).
Chover – Em Maçonaria, quando se diz que está chovendo , isso significa que há, entre os Maçons, a presença de não Iniciados, de profanos e que, portanto, não se está a coberto. Os Maçons estão expostos à chuva (à goteira); isso serve como advertência de que, a partir daquele momento, é proibida a abordagem de assuntos maçônicos reservados aos Iniciados.
Prolixo – designa o que é muito excessivo, abundante; o que faz emprego inútil e fastidigioso de muitas palavras. Uma das ciências humanas de interesse no universo científico maçônico é a Retórica, que é arte de bem falar. Maçom deve falar pouco e bem, com a maior objetividade, pois o Obreiro prolixo demais, além de entendiar os demais, estende a Sessão além do necessário e tira-lhe o caráter educativo.
O laconismo é altamente desejável quando o Maçom fala em Loja, a não ser que seja para Instrução, ou palestra, já que o tempo da Sessão e o direito dos demais ao uso da palavra não podem ser prejudicados por longos e quase sempre estéreis pronunciamentos; estes, lamentavelmente, sempre ocorrem, na palavra final de Sessões Magnas, por parte daqueles que, aproveitando a plagtéia, insistem em abrir seu leque de penas, pavoneando-se. A Maçonaria é uma escola de humildade e não comporta tais arroubos; o Maçom, ao falar (salvo nos casos excepcionais já referidos), deve ser breve e objetivio, não se perdendo em longas ponderações.
Laudatório (Louvação) – Embora a Maçonaria seja uma escola de humildade, onde a vaidade não deveria ter lugar, é comum encontrar-se, nela, práticas laudatórias, que nem sempre premiam o melhor, mas, sim, os detentores temporários de poder, ou aqueles que podem produzir dividendos sociais, ou políticos (embora a Instituição seja perfeita, os homens são altamente imperfeitos, embora perfectíveis); comuns são os longos discursos laudatários, dispensáveis – porque trabalhar pela Maçonaria é um dever do Iniciado – e que denotam subserviência ou bajulação, ambas altamente nocivas.
Tolerância - designa a qualidade de tolerante; a indulgência, a condescendência; a boa disposição dos que ouvem com paciência, opiniões opostas às suas. A tolerância é largamente citada como uma virtude que deve ornar o caráter do Maçom, mas é, ao mesmo tempo, largamente usada, para encobrir a inércia, a inoperância e a falta de coragem de dirigentes de Lojas e de Corpos maçônicos, quando têm que punir algum relapso contumaz. Evidentemente, a tolerância é necessária, em muitos casos, mas, quando chega ao exagero de querer relevar os erros repetidos de faltosos reincidentes, ela se transforma em ingenuidade, ou, o que é pior, em conivência.
Concluindo - Diz-se que a Iniciação faz o Aprendiz; o Aprendiz constrói o Maçom; o Maçom reflete uma nova Filosofia de vida!
Aprendiz! Seja paciente com tudo o que ainda não esteja resolvido no seu coração. E procure tratar suas dúvidas como se estivessem em salas fechadas, livros escritos numa linguagem desconhecida. Não procure por respostas que ainda não poderiam lhe ser dada, porque você não seria capaz de vivê-las. Procure, sim, viver tudo. Viva os problemas agora e com certeza então, gradualmente, sem perceber, passo-a-passo, será levado em direção às respostas.

Fontes de Consultas:
- Dicionário Etimológico Maçônico – José Castellani
- Editora Maçônica “A Trolha”.

Um comentário:

Eduardo Correa disse...

>>Vencer minhas paixões e submeter minhas vontades,mesmo sabendo que na qualidade de seres humanos cheios de falhas e umperfeições, temos que trabalhar com vigor para que possamos realmente praticar a liberdade a igualdade e a fraternidade.
>>Que o G.'.A.'.D.'.U.'. nos ajude!!
T,',F.'.A.'.
EDUARDO CORREA.'.